Impostos
Ganho de capital em criptomoedas: como a conta é feita
Ganho de capital é a diferença entre o valor pelo qual você vendeu um criptoativo e o custo pelo qual você o adquiriu. A fórmula parece simples, e o erro de cálculo mais comum não está na subtração — está no custo de aquisição, que muda de valor conforme você compra mais do mesmo ativo em momentos diferentes, e que se apura pela média ponderada, não pelo preço da última compra. Quem usa o preço da compra mais recente para calcular o custo de todo o lote costuma superestimar ou subestimar o ganho, dependendo da direção do mercado desde a primeira compra.
Informação vigente em 29 de julho de 2026 · 2 fontes primárias
A fórmula, e onde ela quebra
Ganho de capital = valor de venda − custo de aquisição proporcional à quantidade vendida.
A parte que parece óbvia é a subtração. A parte que quebra o cálculo de quem nunca fez é definir qual custo de aquisição usar quando existem várias compras do mesmo ativo em preços diferentes.
Custo médio ponderado: o método que a apuração exige
Quando você compra o mesmo ativo mais de uma vez, o custo de aquisição usado na venda não é o da compra mais recente nem o da mais antiga — é a média ponderada de todas as compras daquele ativo, atualizada a cada nova compra.
Um exemplo com números redondos, só para mostrar o mecanismo, não como orientação sobre valores reais: comprando 1 unidade a R$ 10.000 e depois mais 1 unidade a R$ 30.000, o custo médio das 2 unidades passa a ser R$ 20.000 cada. Vendendo 1 unidade depois das duas compras, o custo de aquisição usado é R$ 20.000 — a média — não R$ 10.000 nem R$ 30.000. Se a venda ocorreu a R$ 35.000, o ganho apurado é R$ 15.000, não R$ 25.000 nem R$ 5.000.
Quem ignora a média e usa o preço da última compra como custo de tudo calcula um número que não corresponde a nenhuma regra.
Exemplo ilustrativo de custo médio ponderado
- Compra 1 — 1 unidade
- R$ 10.000
- Compra 2 — 1 unidade
- R$ 30.000
- Custo médio após as duas compras
- R$ 20.000 por unidade
- Venda de 1 unidade a R$ 35.000 — ganho apurado
- R$ 15.000
O mês é a unidade de apuração, não a operação
Ganho de capital em ativos financeiros de pessoa física se apura por mês, somando todas as vendas do período — não operação por operação.
Isso conecta diretamente com o teste de isenção do art. 22 da Lei 9.250/1995: o preço de alienação do mês inteiro, somado, é o que decide se você fica dentro do limite de R$ 35.000 isento. Cinco vendas de R$ 8.000 no mesmo mês somam R$ 40.000 — ultrapassam o teto, mesmo que cada venda isolada pareça pequena.
Isso significa que apurar operação por operação, sem olhar o total do mês, produz uma leitura errada sobre se há ou não isenção.
O que conta como custo de aquisição, além do preço
O custo de aquisição não é só o valor pago pelo ativo. Taxas cobradas na compra — de corretagem, de rede, de conversão — compõem o custo, porque são gasto necessário para adquirir aquele ativo.
O mesmo raciocínio vale, de forma inversa, na venda: taxas cobradas para vender reduzem o valor líquido recebido, e é esse valor líquido que entra na fórmula, não o valor bruto anunciado na tela da corretora.
Ignorar taxas nos dois lados da operação infla o ganho apurado — e, em consequência, o imposto calculado sobre um número maior do que o real.
Quando não há venda em reais
A apuração pressupõe conversão para reais em cada operação, mesmo quando a venda não passa por moeda nacional diretamente — por exemplo, ao trocar um criptoativo por outro. A permuta entre criptoativos consta da lista de operações declaráveis da DeCripto, e o ganho, se houver, se apura pela diferença entre o valor em reais do ativo recebido e o custo de aquisição do ativo entregue.
Este é um dos pontos em que a apuração exige mais disciplina de registro: sem anotar a cotação em reais no momento exato de cada permuta, reconstruir o cálculo depois fica praticamente impossível.
Limites desta página
Descrevemos o mecanismo de cálculo, não calculamos o seu imposto. O exemplo numérico é ilustrativo — nunca use os valores dele como referência para uma operação real.
As alíquotas efetivas sobre o ganho apurado ficam na página de legislação deste site, onde estão com o artigo da lei e a fonte da Receita ao lado. Repeti-las aqui criaria duas versões do mesmo número, que é como uma delas envelhece sem ninguém notar. Fica de fora também o tratamento de prejuízo em um mês compensado com ganho em outro, que tem regra própria não coberta aqui.
Perguntas frequentes
- Como calculo o custo de aquisição se comprei várias vezes?
- Pela média ponderada de todas as compras do mesmo ativo, recalculada a cada nova compra. Não é o preço da compra mais recente nem da mais antiga.
- O ganho de capital é apurado por operação ou por mês?
- Por mês. Todas as vendas do período se somam para verificar se você ultrapassou o limite de isenção e, se ultrapassou, para calcular o imposto sobre o total.
- Taxas de compra e venda entram na conta?
- Sim. Taxas na compra aumentam o custo de aquisição; taxas na venda reduzem o valor líquido recebido. Os dois lados afetam o ganho apurado.
- Trocar uma criptomoeda por outra gera ganho de capital?
- Pode gerar. A permuta é operação declarável, e o ganho se apura pela diferença entre o valor em reais do que você recebeu e o custo de aquisição do que você entregou.