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Informe de rendimentos da corretora: o que ele cobre, e o que não cobre

Ao contrário de bancos e corretoras de valores mobiliários, que emitem um informe de rendimentos anual consolidado para uso direto na declaração de imposto de renda, corretoras de criptomoedas não têm essa obrigação. O que elas normalmente disponibilizam é um extrato ou histórico de operações — não um documento organizado pelos critérios que a ficha de bens e direitos pede. A diferença entre "ter o extrato" e "ter o informe pronto" é o que esta página existe para explicar, porque tratá-los como equivalentes é a origem de boa parte dos erros de declaração.

Informação vigente em 29 de julho de 2026 · 1 fonte primária

Conferência humana pendente. Este guia toca categoria que a política editorial mantém sob conferência obrigatória — imposto, regulação, corretora ou segurança. Confira sempre na fonte primária antes de decidir qualquer coisa.

Por que não existe obrigação de informe pronto

Bancos são obrigados a emitir informe de rendimentos porque produtos como poupança, CDB e fundos têm tributação padronizada, com retenção na fonte em muitos casos — o banco já calculou o que é devido, e o informe só reporta esse cálculo já feito.

Criptoativos não têm retenção na fonte pela corretora, nem tributação padronizada calculada automaticamente. A apuração de ganho de capital depende do custo de aquisição de cada compra — informação que só existe reconstruindo o histórico completo de operações, mês a mês. Não há um número único que a corretora possa simplesmente informar, porque o resultado depende de decisões de venda que só você toma.

O que a corretora normalmente fornece

O que costuma existir, disponível na própria plataforma ou por solicitação, é um extrato de operações: lista de compras, vendas, depósitos e saques, com data, quantidade e valor de cada operação.

Isso é matéria-prima, não produto pronto. Transformar esse extrato no número que vai na ficha de bens e direitos, ou no ganho de capital apurado mês a mês, é trabalho de quem declara — não da corretora.

Corretora brasileira ainda informa a Receita — mesmo sem te enviar nada

A ausência de informe pronto para você não significa ausência de informação para a Receita. Quando existe uma prestadora de serviço de criptoativo com vínculo com o Brasil na operação, ela é obrigada a prestar informações diretamente à Receita Federal pela DeCripto — um canal que não passa por você e não gera o documento que você recebe.

Isso cria uma situação que confunde: a corretora não te manda um informe, mas já informou a Receita sobre as mesmas operações, por outro caminho. Sua declaração e o que a corretora reportou podem ser cruzados, mesmo sem você ter recebido documento nenhum para conferir esse cruzamento com antecedência.

O que fazer sem informe pronto

Como não existe documento consolidado para copiar, a apuração depende de reconstruir, operação por operação: data e valor de cada compra, para calcular o custo de aquisição; data e valor de cada venda, para verificar se ultrapassou o limite mensal de isenção; taxas cobradas em cada lado, que compõem o custo ou reduzem o valor líquido recebido.

Quem guarda esse registro desde a primeira operação evita o trabalho mais difícil, que é reconstruir tudo anos depois — quando a corretora pode ter mudado o formato do extrato, ou você pode ter trocado de plataforma.

O que verificar antes de confiar no extrato

Nem todo extrato de corretora cobre o período completo automaticamente. Antes de usar como base de apuração, vale conferir: se o extrato cobre o ano-calendário inteiro, ou se é preciso solicitar por período; se ele mostra taxas separadamente, ou só o valor líquido; se movimentações de entrada e saída de outras carteiras aparecem, ou só operações de compra e venda dentro da própria plataforma.

Esse último ponto importa: se você transferiu ativos de outra carteira para a corretora, o custo de aquisição daquela parte não está no extrato dela — está registrado onde a compra original aconteceu.

Limites desta página

Descrevemos o que existe e o que normalmente não existe em termos de documentação fornecida por corretoras. Não temos como confirmar a prática de cada corretora individualmente, e práticas mudam.

Ficou de fora, deliberadamente, qualquer afirmação sobre uma corretora nomeada — o que ela fornece ou deixa de fornecer é informação que muda e que exigiria verificação recorrente, incompatível com o formato desta página.

Perguntas frequentes

A corretora de criptomoedas me manda informe de rendimentos?
Normalmente não um documento pronto para declaração, como bancos fornecem para outros investimentos. O que costuma existir é um extrato de operações, que exige processamento antes de virar informação declarável.
Por que criptomoedas não têm informe como outros investimentos?
Porque não há retenção de imposto na fonte pela corretora nem tributação padronizada calculada automaticamente. A apuração depende do custo de aquisição de cada compra, que só quem opera consegue reconstruir com precisão.
Como calculo sem informe pronto?
Reconstruindo cada compra e venda a partir do extrato de operações, aplicando o custo médio ponderado nas vendas e conferindo se ultrapassou o limite mensal de isenção.
O extrato da corretora é suficiente?
Costuma ser o ponto de partida, mas nem sempre cobre movimentações de entrada vindas de outra carteira, nem sempre separa taxas com clareza. Vale conferir antes de tratá-lo como fonte completa.

Fontes