Corretoras
Kraken nas análises do Núcleo Cripto: o vínculo declarado nos vídeos de Caio Vicentino, o custo lido em 2 de agosto de 2026 e a empresa brasileira que os termos nomeiam
10 análises publicadas nomeiam a Kraken, a maioria do canal de Caio Vicentino, com links de indicação e códigos promocionais; parte delas usa a palavra parceria. Esta página registra esse vínculo, diz de que classe de prova ele vive e publica o que a empresa cobra — cada número com a tabela de onde saiu e a data em que foi lido, 2 de agosto de 2026. Não avalia segurança nem situação regulatória.
O vínculo comercial registrado
No vídeo "ALMOÇO CRYPTO - BITCOIN CONTINUA COM CARA QUE VAI BUSCAR OS 70K - 27/07/2026", do canal Caio Vicentino, o Almoço Crypto de 27/07/2026, o disclosure da análise publicada registra, na íntegra: "O criador promove o cartão de pagamentos EtherFi e a corretora Kraken com links de indicação e códigos promocionais disponibilizados na descrição do vídeo."
No vídeo "ALMOÇO CRYPTO - O QUE ESPERAR PARA O FINAL DE 2026 PARA O BITCOIN E ALTCOINS - 28/07/2026", do canal Caio Vicentino, o Almoço Crypto de 28/07/2026, o disclosure da análise publicada registra, na íntegra: "O criador promove links de afiliados e parcerias com Kraken e Eterfy, além de divulgar sua comunidade paga Renda Cripto / Z de Hack, o projeto Gotas e o canal Cultura Builder." Aqui a corretora aparece nomeada no próprio disclosure, e não só na legenda automática.
Vale registrar uma diferença entre os dois registros: o primeiro grafa a empresa do cartão como EtherFi e o segundo como Eterfy. Mantemos cada citação como está no respectivo disclosure em vez de uniformizar — corrigir grafia dentro de aspas é reescrever a fonte, e qual das duas está certa não é coisa que esta página tenha apurado.
Esta página não contém link de afiliado, e nenhum link nosso leva a cadastro em corretora. Se o Núcleo Cripto tiver relação comercial com alguma corretora, o disclosure aparece na própria página, e nada disso altera sentimento, score ou ranking.
A mesma empresa em dois papéis, no mesmo vídeo
No vídeo de 27/07/2026, a Kraken aparece duas vezes e por razões diferentes. Numa delas é parceira com link e cupom, como registra o disclosure. Na outra, dentro da análise, ela é uma das corretoras cujo volume no mercado à vista o criador compara para argumentar que o volume do setor caiu ao longo de 2026 — junto de Binance, Bitget, Bitstamp, Bybit, Coinbase, Crypto.com, Gate e HTX.
Registrar as duas separadas é o ponto. A empresa citada como fonte de dado no meio de um raciocínio de mercado é a mesma que tem link pago na descrição, e quem assiste tem interesse em saber disso — sem que isso signifique que o dado esteja errado, ou que o raciocínio tenha sido feito por causa do link. A página não afirma influência: registra a coincidência e deixa o leitor com a informação.
De que classe de prova esta página vive
Os 10 registros que sustentam esta página não valem todos o mesmo, e a diferença que mais importa não está no texto deles: está na camada de baixo. Cada análise publicada tem uma legenda por trás, e a base distingue duas origens — legenda enviada pelo canal e legenda gerada automaticamente pelo YouTube. Aqui, nos 10 vídeos, de dois canais diferentes, a origem é a mesma: transcrição automática, em todos. Nenhuma legenda enviada por canal sustenta o nome desta empresa nesta base.
Isso importa porque legenda automática erra nome de empresa, e a prova está dentro deste mesmo acervo. Na página da Bybit, apurada na mesma passada, as quatro legendas automáticas do canal que declara o patrocínio não escrevem o nome da empresa corretamente nenhuma vez — e em dois desses vídeos a máquina produz duas grafias erradas diferentes dentro do mesmo vídeo. Onde a única camada que grafa o nome é máquina, a página está apoiada exatamente no tipo de prova que o resto deste sistema trata como insuficiente para nomear.
O que atenua o caso da Kraken, e seria desonesto omitir: aqui a máquina foi estável. Nos nove vídeos — aPy9WCahS-o, fRgBqJsz_9s, JWJRI2pAJdA, lbM2YJl6tNI, lfomtKRBNec, Nr15n2eRsI8, rJl2ovVLRgI, sDrQHSyrNqQ e ZG73l32GN_0 — a transcrição escreveu Kraken, e só Kraken, entre uma e três vezes cada. Duas coisas diferentes se somam nesse desenho: nove ocorrências consistentes, em dois canais que não se falam, e o fato de que o nome também está escrito no commercialDisclosure de cada análise, que é outro artefato. Consistência interna é corroboração. Não é o mesmo que legenda enviada pelo canal, e por isso a conferência do nome contra a descrição dos vídeos continua marcada como pendente.
Uma precisão sobre o número, porque ele pode ser lido a mais do que diz. Nove disclosures nomeiam a Kraken; nove vínculos comerciais declarados, não. Um dos nove vem de outro canal e descreve a empresa citada como fonte de dado de staking, registrando que não houve chamada de afiliado nem patrocínio declarado no trecho analisado. A contagem mede quantas análises nomeiam a empresa, que é o que ela promete medir — e é por isso que este parágrafo existe.
O que a empresa cobra, e de qual produto é cada número
A ressalva vem antes do número, porque sem ela o número engana. A Kraken mantém pelo menos quatro tabelas de custo simultâneas para o mesmo ato de comprar cripto, e a distância entre os extremos delas é de cinco vezes: 1% na compra simplificada, 0,80% de taker no primeiro degrau da Kraken Pro, 0,20% nos pares de stablecoin e de moeda fiduciária, e 0,25% por ponta nos perpétuos simplificados. Publicar um percentual sem dizer de qual produto ele é seria publicar um número correto que responde a pergunta errada.
Comece pelo caminho mais fácil, que é o mais caro. Na página de taxas da própria Kraken, lida em 2 de agosto de 2026, a compra, a venda e a conversão instantâneas em kraken.com e no aplicativo Kraken custam 1%, e as ordens personalizadas custam 1,5%. A assinatura Kraken+ zera essa taxa de negociação em até 10 mil dólares de volume mensal nas moedas principais, e a mesma página avisa que o benefício não alcança Spot, Futures, API nem OTC na Kraken Pro, e que spread e taxa de processamento de cartão continuam valendo. Converter saldos pequenos, abaixo do tamanho mínimo de ordem, custa 3% fixos.
Há um custo nesse caminho que nenhuma tabela carrega. A empresa declara que o preço da compra instantânea já inclui um spread — a diferença entre a cotação de mercado e a cotação que você recebe — e que ela pode reter o excedente depois da operação. Diz também que o tamanho varia com volatilidade, ativo, tamanho e tipo da ordem, status VIP e atividade da conta. Percentual ou faixa a Kraken não publica. Então o custo total de uma compra simples tem um componente que esta página não tem como informar, e ele não é pequeno por definição.
Na Kraken Pro, a mesma leitura de 2 de agosto de 2026 traz uma escada de dezessete degraus. O primeiro, para quem negociou de zero em diante nos últimos 30 dias, cobra 0,40% de maker e 0,80% de taker. O último, o Pro 5, exige 500 milhões de dólares em 30 dias e cobra 0,00% de maker e 0,05% de taker. Quem chega hoje entra pelo topo do custo, não pelo piso — e o degrau passou a ser calculado pelo melhor entre três medidas: volume à vista, volume de futuros e saldo mantido na plataforma.
E aqui aparece o achado desta apuração, que é uma divergência dentro da própria empresa. A API pública da Kraken, lida no mesmo 2 de agosto de 2026, devolve para XBT/USD e ETH/USD uma escada de doze degraus, e no degrau de volume zero ela informa 0,4% de taker e 0,25% de maker — contra 0,80% e 0,40% na tabela comercial do site. As faixas também não coincidem: o segundo degrau da API começa em 10 mil dólares e o da tabela, em 2.500. Não escolhemos uma das duas em silêncio. Esta página publica a tabela comercial, porque é dela que o charter manda tirar preço, e registra a outra leitura ao lado — qual das duas descreve a conta de quem abre a conta hoje é pergunta que só a tela de taxas dentro da conta responde, e não houve acesso a conta nesta apuração.
Nos demais mercados, na mesma leitura: pares de stablecoin, token pareado e moeda fiduciária começam em 0,20% para maker e para taker; futuros começam em 0,02% de maker e 0,05% de taker; os perpétuos simplificados cobram 0,25% do valor nocional para abrir e 0,25% para fechar, o que dá 0,50% no giro completo. Em margem, a abertura custa de 0,02% a 0,04% na maioria dos ativos — de 0,01% a 0,02% em bitcoin, de 0,025% a 0,05% em dólar — e a rolagem cobra a mesma faixa a cada 4 horas enquanto a posição existir, com taxa de liquidação de 2% quando ela é encerrada à força.
Tirar a cripto de lá tem preço fixo, e ele é conhecido. A tabela de saque publicada pela empresa registra 0,000015 BTC por saque na rede Bitcoin, com mínimo de 0,000218 BTC; 0,00014 ETH na rede Ethereum; e 1,00 USDT na rede Tron, com mínimo de 6,00. O saque de bitcoin pela rede Lightning é a exceção que cobra percentual em vez de valor fixo: 0,1%, com mínimo de 0,00001 BTC e teto de 0,25 BTC por saque. Depositar cripto é gratuito na maioria dos ativos, com alguns cobrando taxa de configuração de endereço. Os dois artigos avisam que esses valores mudam e que o que vale é o mostrado na confirmação da transação.
O caminho brasileiro: Pix, real e uma empresa com CNPJ
O contrato que vale para quem mora no Brasil não é o mesmo que circula em resenha internacional, e isso está declarado pela própria Kraken. A página de documentos legais, lida em 2 de agosto de 2026, diz que os Termos Globais valem para quem não reside no Canadá, no Espaço Econômico Europeu ou no Brasil, e que existem Termos de Serviço brasileiros separados.
Esses Termos brasileiros, com última atualização declarada em 24 de setembro de 2025, nomeiam a entidade contratante: Payward Brasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., empresa constituída no Brasil sob o CNPJ 61.533.076/0001-77, com sede na Avenida Eng. Luiz Carlos Berrini, 1748, em São Paulo, para serviços de prestadora de serviços de ativos virtuais a quem mora no Brasil, a vigorar a partir de 1º de outubro de 2025. O mesmo trecho lista as entidades de outros países, entre elas Payward Interactive nos Estados Unidos, Payward Ltd. no Reino Unido e Bit Trade Pty Limited na Austrália. Saber qual empresa assina com você é o começo de qualquer pergunta sobre a quem reclamar.
No espelho público da base aberta de CNPJ da Receita Federal, consultado em 2 de agosto de 2026, esse mesmo CNPJ consta com situação cadastral ativa, data de início de atividade em 1º de julho de 2025, natureza jurídica de sociedade empresária limitada, capital social registrado de R$ 5.000.000 e endereço no mesmo logradouro e número que o contrato declara. A leitura foi feita em espelho, não no sítio do órgão, e é assim que ela deve ser lida. O que ela acrescenta não é a existência do cadastro: é a coincidência entre o endereço do contrato e o do registro, que liga os dois documentos sem depender de inferência nossa. As datas também não são a mesma: o CNPJ passa a existir em julho e o contrato só o coloca para valer em outubro de 2025.
Depositar e sacar real tem tabela publicada, e é linha única. No artigo de opções de depósito em dinheiro, com última atualização declarada em 17 de julho de 2026, a linha do real aparece disponível apenas no Brasil, por transferência bancária via Pix, com mínimo de 50 reais e crédito quase instantâneo. O único valor na coluna de custo é 0,3% de IOF, que é tributo e não receita da corretora — a célula não registra cobrança própria da empresa. No artigo de opções de saque em dinheiro, com última atualização declarada em 24 de julho de 2026, a linha do real cobra 0,50% sobre o valor sacado, com mínimo de 50 reais, crédito quase instantâneo e nenhuma retenção. Esse 0,50% é o número que a maior parte do material sobre a empresa não menciona, e ele se soma à taxa de negociação em vez de substituí-la.
Sobre registro público, dois fatos e uma fronteira. A Relação de Instituições em Funcionamento no País, do Banco Central, consultada em 2 de agosto de 2026 pela API de dados abertos, traz 709 instituições e nenhuma delas tem Kraken ou Payward no nome. Essa relação é de outro cadastro — instituição de pagamento e afins — e nada do que ela diz ou deixa de dizer se transfere para o regime de prestadoras de serviços de ativos virtuais, que é o assunto da última seção desta página e que não tem relação pública para consultar.
O que esta apuração não alcançou
A divergência entre a tabela comercial e a API pública ficou registrada e não resolvida: as duas são fontes da própria empresa, foram lidas no mesmo dia, e a tela que mostraria a taxa efetiva de uma conta exige conta aberta. O valor do spread da compra simplificada também não entrou, porque a empresa declara que ele existe sem publicar percentual nem faixa. A escala de comissão do staking com bloqueio ficou de fora pela mesma razão: a página diz que ela varia com o saldo por ativo e não publica a tabela.
Nada aqui foi obtido com login, e nenhuma verificação anti-robô foi contornada — onde a leitura com identificação de navegador não bastou, o campo ficou vazio com o motivo registrado. A apuração inteira, com todas as URLs testadas e o que cada uma devolveu, está em content/research/corretoras/kraken.json.
O que esta página não afirma
Número de custo só aparece aqui quando saiu da tabela publicada pela própria empresa, com a data em que foi conferido e a faixa de volume a que corresponde. Preço de corretora muda sem aviso e é escalonado: número sem data envelhece calado, e número sem faixa mostra o piso como se fosse o que você vai pagar. Onde a apuração não alcançou o número, esta página diz que não alcançou — mandar você consultar o site seria fingir um trabalho que não foi feito.
Também não dizemos que a empresa é segura, nem que é insegura. Segurança de custódia não se verifica de fora, por leitura de site: envolve como as chaves são guardadas, se o dinheiro do cliente é separado do caixa da empresa e o que acontece numa falha. Quem publica nota de segurança de corretora sem auditar está inventando.
E não afirmamos situação regulatória. Autorizar e supervisionar prestadora de serviços de ativos virtuais é ato do Banco Central. Onde um registro público diz alguma coisa sobre a empresa, reproduzimos o que ele diz e nomeamos qual registro é e quando foi consultado — o que é diferente de concluir, por conta própria, que a empresa está ou não autorizada. Essa conclusão é competência do regulador.
Onde conferir por conta própria
Taxas: na tabela de preços publicada pela própria empresa, antes de transferir dinheiro. O número que publicamos é uma leitura datada; o que vale no seu depósito é o que a tabela disser naquele momento. As regras do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais exigem que elas informem riscos, políticas de segurança e taxas de forma clara — o que dá ao leitor um critério objetivo: se você não encontra a taxa antes de depositar, isso já é uma resposta.
Autorização: com o Banco Central, que passou a regular, autorizar e supervisionar essas empresas. As regras foram publicadas em 10 de novembro de 2025 e entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, e quem já prestava o serviço no país pode continuar operando dentro de um prazo para comprovar requisitos e solicitar autorização. Enquanto esse prazo corre, não há relação pública de empresas autorizadas para consultar — o que significa que ausência de autorização concedida não é o mesmo que negativa, e que dizer de uma empresa que ela 'não consta' seria tão errado quanto dizer que consta.
Um limite que vale registrar: dependendo de como um token é estruturado e oferecido, quem regula pode ser a Comissão de Valores Mobiliários, não o Banco Central.
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